Ronald Aldworth

Profissionalização da gestão e entrada no setor industrial automotivo

Ronald Aldworth entrou para o Grupo Iochpe em novembro de 1982, aos 35 anos, convidado pelo diretor Ivoncy Ioschpe. Era o momento de profissionalização da companhia, que já havia se consolidado com êxito no ramo financeiro e planejava atuação em novos negócios no segmento industrial. Ronald lembra como foi a conversa inicial com Ivoncy:

“Ivoncy teve a coragem de me dizer que queria profissionalizar a companhia para que ele pudesse se dedicar mais à vida dele, mais às artes… coisas que ele gostava muito. Mesmo assim, via Ivoncy gastar de 12 a 14 horas dentro da empresa. Então, aquela conversa inicial que ele teve comigo realmente não se materializou… E tinha sido até bom para a companhia que ele tenha mantido essa força e essa presença aqui dentro”.

A princípio Ronald trabalhava em Porto Alegre, analisando oportunidade de compra de um importante banco local, o Sul Brasileiro, projeto não concluído. Na metade de 1983, como superintendente, passou a estruturar a companhia, centralizando as tomadas de decisões e profissionalizando a gestão, o que capacitou o Grupo Iochpe a investir no ramo industrial e obter bons resultados, principalmente com a aquisição da Massey Ferguson Perkins S.A.

“Era uma época em que o Grupo estava iniciando o processo de profissionalização no segmento industrial, uma vez que o banco já era um segmento próspero. Criei uma estrutura chamada administração central, que cuidava das diversas áreas e dos investimentos da companhia, como o Banco, a Edisa, Máquinas Ideal e também novos projetos, como a aquisição da Massey Ferguson. Esse projeto evoluiu, assinamos no final de 1983 um protocolo de intenções para a aquisição da empresa e a compramos em julho de 1984, englobando toda a parte de tratores, colheitadeiras e motores diesel, cuja fábrica era em São Paulo.”

Iochpe Seguradora

Na área financeira, Ronald também participou do início das atividades da seguradora do Grupo Iochpe, com a aquisição da Comind Companhia de Seguros, em 1985, colocada à venda pelo Banco Central após a quebra do Banco Comind.

“Nessa época, a Iochpe tinha um conglomerado financeiro completo, mas não tinha uma seguradora. O grupo Iochpe começou com uma financeira, depois comprou um banco de investimentos, depois um banco comercial, uma leasing, uma corretora de valores, mas a seguradora ainda não tínhamos. Compramos então umas 10 ou 12 cartas patentes do Comind e começamos a abertura de agências no Brasil: Campinas, outra em SP (já havia uma), Caxias do Sul, Pelotas… e outras mais.”

Para promover uma administração ágil e implantar os valores e procedimentos do Grupo Iochpe, Ronald mudou-se para São Paulo, sede da seguradora. Em 1986, com o Plano Cruzado e o congelamento dos preços, ocorreu o agravamento da crise econômica que assolou o País, e a parte financeira do Grupo como um todo teve de se adequar à nova situação.

“Iboty Ioschpe era responsável pelo banco. Ele pediu que eu passasse uma temporada em São Paulo dando uma olhada no que tínhamos comprado. Nosso banco era mais voltado para o atacado com um número bem mais reduzido de casas. Logo, percebemos que a estrutura da Comind não era adequada para o novo modelo de operações que tínhamos em mente. No decorrer das primeiras semanas, após a compra, que foi muito bem-sucedida, percebemos que a estrutura operacional, e sua necessária reengenharia, apresentou-se mais complicada do que tínhamos imaginado. Então Iboty sugeriu que eu passasse uma temporada mais longa em São Paulo. Perguntei se era coisa de sessenta dias, meio ano, só pra ter uma ideia. E ele, naquele jeito enigmático… Então eu disse: você quer que eu me mude pra São Paulo? E ele: ‘É. É mais ou menos isso…’ Rapidamente me mudei pra cá e assumi a seguradora. E 1986 foi um ano muito complicado, ano do Plano Cruzado, que mudou radicalmente o papel das seguradoras. Desmontou toda a lógica das mudanças que havíamos feito, e isso afetou profundamente as operações do Banco Iochpe também, que tinha comprado mais agências espalhadas pelo Brasil.”

Foco no setor industrial

Em 1989 Ronald assumiu a diretoria da Massey Ferguson Perkins S.A., a convite de Ivoncy Ioschpe. Participou do processo de criação da nova S.A. e da marca “Maxion”, além da incorporação da Indústria de Máquinas Agrícolas Ideal à Maxion S.A., e da aquisição da FNV – Fábrica Nacional de Vagões. Ao mesmo tempo, também participou do processo de venda da parte financeira para o Bankers Trust. Assim, a companhia colocou em prática sua estratégia de focar no setor industrial, sobretudo, ligado ao setor automotivo e ferroviário.

“Fiquei na seguradora de 1986 a 1989. Em 1985 a Companhia vendeu 50% das suas ações para o Banker Trust, mais adiante, em 1989, vendeu o resto do banco e ficou apenas com o banco comercial, que era pequeno e continuou pequeno, praticamente desativado. Neste ano Ivoncy me procurou e sondou se eu tinha interesse de assumir a diretoria da Massey Ferguson Perkins S.A., o que fiz. Aí mudamos para o nome “Maxion”. Depois, incorporamos a Máquinas Ideal à Maxion, e na sequencia, a aquisição da FNV.”

Reestruturação societária

No início dos anos 1990 Ronald participou do processo de reestruturação societária da companhia, que a capacitou para continuar crescendo em um cenário de incertezas com o Plano Collor e a estagnação da economia nacional.

“Todas as participações societárias (Edisa, Riocell, Banco Iochpe…) foram pra Maxion, que deixou de ser holding e passou a ser uma empresa operacional. Acionistas estrangeiros começaram a se interessar pela Companhia. Passamos a fazer divulgação de nossos negócios em inglês também. Isso repercutiu. Tínhamos 30% de acionistas estrangeiros. Foi uma exposição fantástica. Éramos uma das Companhias privadas brasileiras mais conhecidas lá fora.”