José Antonio Correia Rodrigues

“Entrei na empresa como estagiário em junho de 1973, sendo efetivado em dezembro do mesmo ano como engenheiro da ferramentaria de autopeças. Nessa época a empresa ainda se denominava FNV, que ao longo dos anos 1980 passou por duas alterações nos grupos controladores. A primeira ocorreu em 1984 quando foi adquirida pela Engesa e a segunda, em 1990, quando a Iochpe-Maxion assumiu o controle acionário.

A Iochpe trouxe mais dinamismo à estrutura, visão diferenciada de negócios e modelo moderno de gestão. No início da gestão Iochpe, a FNV, foi subdividida em três “Unidades de Negócios”:

  1. Maxion Implementos Rodoviários Ltda., mais conhecida como “carretas” – que foi a continuidade da FNV-Fruehauf.
  2. Maxion Componentes Estruturais Ltda., responsável pela comercialização e manufatura dos itens de autopeças (longarinas, estampados, montagem de chassis e rodas para veículos comercias).
  3. Maxion Fundição e Equipamentos Ferroviários Ltda., que concentrava a Montagem de vagões e a Fundição. Esta última além de fornecer os fundidos e rodas utilizados nos vagões, também atuava no segmento de fundidos para máquinas de movimentação de terra e mineração.

Em 1996, passei para a gestão da Maxion Fundição e Equipamentos Ferroviários e em 2000 foi formada a joint venture entre a Iochpe-Maxion e a Amsted Industries, que é a maior fornecedora de componentes ferroviários no mundo. Na época a Amsted licenciava a Fundição de Cruzeiro para as tecnologias de fundidos e rodas ferroviárias. A essa joint venture deu-se o nome de Amsted Maxion Fundição e Equipamentos Ferroviários.

Cabe lembrar que nessa época o mercado ferroviário estava estagnado, em outras palavras, não existiam encomendas, o que resultou no fechamento de praticamente todos os demais fabricantes de vagões. Também é importante salientar que mesmo sem encomendas de vagões, a direção da Iochpe tomou a decisão estratégica de manter uma equipe de engenharia dedicada ao desenvolvimento e atualização tecnológica dos projetos de vagões, seus componentes e processos produtivos.

Logo após a conclusão do processo das concessões da então malha ferroviária estatal para a iniciativa privada, ocorridas entre 1996 e 1998, tivemos, entre 2001 e 2007, um grande aumento nas exportações de minério de ferro e de grãos (soja, em especial) puxadas pelo expressivo crescimento da China. Lembrando, para serem competitivos, a melhor logística para estes commodities acessarem os portos é o modal ferroviário.

As grandes operadoras ferroviárias no pós-concessão da época eram: Vale – Vale do Rio Doce, exportando minério de ferro pela Ferrovia de Carajás e pela Ferrovia Vitória-Minas; a MRS Logística S.A., que transporta minério de ferro de Minas Gerais para o porto de Santos e para a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional; a ALL – América Latina Logística, operando a malha ferroviária do Sul no transporte de grãos para os portos de Santos e Paranaguá; e a recém-criada Ferronorte, transportando soja da região central do País para o porto de Santos.

Simultaneamente todas as operadoras, para cumprir os compromissos do transporte contratado, necessitavam de novos vagões com maior capacidade efetiva e produtividade nas operações de carga e descarga, ou seja vagões que trouxessem inovações tecnológicas. Aqui a decisão da Iochpe de investir em tecnologia durante os anos de escassez se mostrou correta e obteve frutos. Entre 2001 e 2007 recebemos expressivas encomendas de vagões que em alguns anos atingiram a quantidade de 7.000 unidades, com Market Share de 90%. Foram anos de grandes desafios para a Amsted Maxion, que, apoiada por seus acionistas, conseguiu cumprir as encomendas e manter o mercado brasileiro abastecido de vagões e componentes.

A Iochpe-Maxion sempre teve o DNA do crescimento e, após alguns anos mantendo o foco apenas no crescimento orgânico dos negócios de autopeças das plantas de Cruzeiro, de Contagem e da Amsted Maxion, em 2008 decidiu que era o momento para voltar a crescer não só organicamente, mas também por compras estratégicas. Essa decisão coincide com minha transferência para o escritório de São Paulo, quando passei a integrar o grupo responsável por buscar oportunidades de crescimento por M&A (Fusões & Aquisições).

Em 2009, tivemos a oportunidade de adquirir a Fumagalli, que foi a primeira empresa que a Iochpe obteve o controle depois de vários anos.

A Fumagalli era uma divisão da ArvinMeritor Brasil, produzindo rodas automotivas de aço para automóveis, com fábricas em Limeira (SP) e São Luis de Potosí (México).

Como já havia produção em Cruzeiro das rodas em aço para caminhões, ônibus e maquinas agrícolas, com a aquisição da Fumagalli a Iochpe passou a participar de todos os segmentos de rodas automotivas em aço. Entretanto, ainda limitada geograficamente ao Nafta – North American Free Trade Agreement (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) e ao Mercosul – Mercado Comum do Sul, sem contar com as rodas em alumínio de automóveis, para oferecer aos seus clientes globais.

Em 2010, foi identificada uma nova oportunidade, dessa vez um fabricante de longarinas na Argentina, a Montich, com quem fizemos uma joint venture 50/50, a Maxion-Montich S.A., dedicada à produção de longarinas, estampados e chassis de caminhões, ônibus e picapes.

No inicio de 2011 começaram novas tratativas para a aquisição de mais duas empresas: a Hayes Lemmerz Internacional, tradicional e global fabricante de rodas em aço e alumínio para veículos de passageiros e rodas em aço para veículos comerciais, que agregou ao grupo Iochpe mais dezessete plantas distribuídas em onze países; e a Inmagusa, do Grupo Galaz, no México, grande fabricante de longarinas para caminhões e ônibus destinadas ao Nafta (México, Estados Unidos e Canadá). As duas operações foram concretizadas no início de 2012.

Após essas aquisições, a empresa foi reestruturada em duas unidades principais de negócios, Maxion Wheels e Maxion Componentes Estruturais, mantendo ainda a participação societária na Amsted-Maxion.

Esse foi o crescimento arrojado do grupo Iochpe-Maxion, que em quatro anos passou de fabricante local, para empresa multinacional e um dos mais importantes e estratégicos players globais de autopeças, atuando nos segmentos de rodas automotivas e componentes estruturais.

Existem outras boas oportunidades de crescimento ao redor do mundo, orgânicas e por M&A e com certeza a Iochpe-Maxion com o seu DNA de crescimento irá aproveita-las nos próximos anos.”