A interessante história da Iochpe-Maxion e os caminhões International

O primeiro caminhão do Grupo Iochpe foi adquirido em 1937, quando a empresa atuava no ramo madeireiro, no Rio Grande do Sul. Era um D-30 International, importado dos Estados Unidos por Salomão Ioschpe, empreendedor da segunda geração da família Ioschpe. Apesar da quase inexistência de estradas de rodagem e da precariedade das poucas existentes, o veículo era mais veloz e possuía maior capacidade de carga que a carreta de bois utilizada para conduzir madeira, vigas e toras das serrarias do Grupo até o embarque nos vagões da via férrea. Com o caminhão era possível aumentar a produtividade. Antes da compra, Salomão contratou o motorista Janguinho (João Rodrigues), profissional raro na região naquela época.

O caminhão funcionava a gasolina, mas no período da guerra (1939-1945), devido à dificuldade de acesso ao combustível, foi adaptado para gasogênio. A gasolina, racionada e cara, era utilizada apenas nos trechos da estrada em que a força do gasogênio era insuficiente. Para proporcionar mais força ao motor, foram instaladas duas caixas de câmbio. O caminhão não possuía cabine para o motorista e foi construída uma cabine de madeira.

Fato curioso é que quarenta anos depois, em 1978, o Grupo Iochpe assumiu o controle acionário da Indústria de Máquinas Agrícolas Ideal, sediada em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, em sociedade com a International Harvester Corporation, que na época produzia as colheitadeiras automotrizes IDEAL, modelos 1170, 1170 DS, 1175 e 1175 DS, nas versões coxilha e arrozeira, equipadas com motores MWM e Perkins, diesel e álcool. Estrategicamente, a aquisição da Ideal foi um marco fundamental na trajetória do Grupo Iochpe, dando início ao foco de seus negócios no setor produtivo, sobretudo no automotivo.

Em 1999, o Grupo Iochpe-Maxion formou joint venture com a norte-americana Navistar, fabricante dos caminhões International, criando assim a Maxion International Motores S.A. O objetivo era dar início à fabricação de motores diesel V8 de 7,3 l e 175 a 205 cv com gerenciamento eletrônico (os primeiros do país), para suprir o mercado de caminhões e picapes pesados, importados dos Estados Unidos.

Em 2001 a venda da parte da Iochpe-Maxion foi consumada, passando a Navistar a deter 100% do controle da Maxion Motores, que adotou como razão social International Engine South America Ltda.

Atualmente, por meio da Maxion Structural Components, o Grupo Iochpe-Maxion fornece longarinas e chassis para veículos comerciais para as principais montadoras de veículos comerciais instaladas na América do Sul e América do Norte, em suas seis plantas industriais localizadas em quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai e México).