Iochep

A indústria de papel e celulose e o Grupo Iochpe

Criada em 1918, a Iochpe iniciou suas atividades no setor madeireiro. Foi crescendo progressivamente, com investimentos na extração e beneficiamento da madeira. Instalou diversas serrarias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, comercializando sobretudo o pinho, para o mercado interno e externo. Parte da produção era transportada por balsas pelo Rio Uruguai, visando o mercado platino (Argentina e Uruguai), e por ferrovias para abastecer o mercado nacional. Pelo porto de Rio Grande eram feitas as exportações para a América do Norte e Europa.  No final dos anos 1930 a Iochpe possuía depósitos de pinho, madeira de lei e vigas nas cidades de Coxilha, Getúlio Vargas, Erebango, Quatro Irmãos, Capô-Erê, Viadutos, Marcelino Ramos e Boa Vista; além de diversos pinhais.

Percebendo potencial para crescer ainda mais e ampliar suas atividades, em 1942 a Iochpe instalou uma moderna e inovadora “Fábrica de Pasta Mecânica, Laminação e Compensados para Caixaria”, montada com maquinário importado. Esta pode ser considerada a primeira atividade fabril do Grupo.

O método produtivo era relativamente simples: a madeira era pressionada, em presença de água, contra a superfície de uma pedra esmerilhadora, obtendo assim uma pasta celulósica que podia ser utilizada para papéis, embalagens, sacos, papelão ondulado, papel sanitário, papel-toalha, papel imprensa, entre outros.

Na época, o crescimento do mercado e o aumento da demanda exigiu maior produtividade e, com isso, a modernização tecnológica e o aumento de investimentos de capital para aquisição de máquinas mais complexas.

A experiência de produção de pasta mecânica, apesar de sua importância local, não deu os resultados esperados e foi interrompida depois que o incêndio, em 1947, destruiu suas instalações.

Fato curioso é que, quarenta anos depois, a Iochpe voltou a atuar no setor de papel e celulose, com participação na holding Riocell – Rio Grande Companhia de Celulose do Sul, uma associação da Indústria Klabin do Paraná (52%), do Grupo Iochpe (42%) e do Grupo Votorantin (6%), instituída em 1982.

A Riocell era uma fábrica que havia sido inaugurada, em 1972, em Guaíba (RS), pertencente ao grupo empresarial norueguês, Borregaard, que tinha como principal atividade a produção de celulose branqueada, pioneira na produção de celulose solúvel de eucalipto no país. Nos anos 1980 foi responsável por 9% da produção nacional e por 15% das exportações brasileiras.

A Iochpe se manteve nesse negócio até 1995, quando alienou a totalidade de suas ações na Riocell, mudando o foco de suas atividades para a indústria automotiva.